Aos Filhos do Fogo

Ennio Dinucci...

Este texto tem como objetivo, rebater algumas idéias improcedentes expostas na internet, por uma organização sediada no Rio de Janeiro, intitulada “Fraternidade Rosacruz Max Heindel”, fundada pela senhora Irene Gómes Ruggiero (falecida), filiada a “The Rosicrucian Fellowship”, organização esotérica fundada pelo Sr. Max Heindel em 1912, na cidade de Oceanside nos EUA.

Estas linhas são de responsabilidade do presidente e instrutor da “Fraternidade Rosacruciana São Paulo”, Escola Cristã Esotérica, fundada em 1929, que segue desde a sua fundação a orientação exclusiva do Insigne e Iluminado Instrutor, Sr. Max Heindel, exposta no “Conceito Rosacruz do Cosmos” e demais obras do autor. Seu único objetivo é informar ao público leitor que navega pela internet e sente atração pelos ensinos ocultos, que esta Instituição não é uma igreja com pendor eclesiástico e, por essa razão não poderia estar alinhada com a organização americana citada acima, uma vez que esta, desde a morte do seu Augusto Fundador em 1919, choca-se em vários aspectos com as diretrizes estabelecidas por ele, ao adotar métodos próprios das instituições clericais.

Nossa posição, diametralmente oposta à Sede Central Americana e aos seus centros filiados, é antiga e conhecida por todos os nossos leitores. Contudo, não é nossa intenção provocar atritos ou discussões inúteis com os seus representantes e, menos ainda, atrair novos estudantes e simpatizantes para a nossa Escola, mas apenas mostrar aos interessados que os ensinos Rosacruzes apresentados pelo Sr. Max Heindel, há muito tempo já perderam sua pureza original, pois o acréscimo de idéias desautorizadas em suas teses, desvirtuaram-no em larga extensão.

Diante da grande quantidade de idéias tolas publicadas periodicamente na internet, os estudantes de boa fé encontrarão sérias dificuldades para distinguir o “trigo do joio”, isto é, separar a sã doutrina exposta pelo Sr. Max Heindel, do entulho filosófico apresentado por pessoas irresponsáveis, incapazes de se manterem fiéis aos ensinos originais. Entre elas destacamos uma escritora que tem aparecido com freqüência no noticiário rosacruciano: a Sra. Corinne Heline (falecida).

A fim de que os nossos leitores não nos julguem radicais e intolerantes, expomos as razões que nos impediram e impedem de trabalhar em sintonia com a “The Rosicrucian Fellowship”, razões estas que serão facilmente compreendidas pelos estudantes que se derem ao trabalho de examinar cuidadosamente e sem qualquer idéia preconcebida, as obras do Sr. Max Heindel, especialmente uma das mais importantes e significativas: “MAÇONARIA E CATOLICISMO”.

O conteúdo desse livro define claramente a posição do seu autor com relação aos ensinos do ocultismo tradicional, ao declarar-se “Maçon pelo coração”, desejando ardentemente que, para o bem duradouro da humanidade, vença a linha dos Filhos do Fogo, na qual se incluía. Afirma ainda, que sua preferência o situa numa linha “FRANCAMENTE CONTRÁRIA AO CATOLICISMO”, pois é do conhecimento das pessoas esclarecidas que o principal baluarte do catolicismo é a Virgem Maria, ao passo que Cristo é a “Pedra Angular” dos “Filhos do Fogo”!

O estudo dessa obra fará ver a qualquer pessoa dotada de bom senso e independência mental, as razões que nos levaram a discordar da direção clerical e aquática adotada pela Sede Central Americana, uma vez que a “Fraternidade Rosacruciana São Paulo” pertence à “Hierarquia do Fogo” com a qual seus estudantes se afinam completamente, constituindo-se em seus ardorosos e conscientes defensores. Em conseqüência dos fatos ocorridos, logo após a passagem do Sr. Max Heindel para os planos internos, preferimos realizar o trabalho doutrinário, independentemente, ajudando e esclarecendo a todos os aspirantes sérios que se aproximam da nossa Escola.

O lamentável engano em que incorreu a “The Rosicrucian Fellowship” e que a levou a decadência (aliás prevista pelo Sr. Max Heindel), foi ter subestimado o ideal maçônico, masculino e positivo dos “Filhos do Fogo”, que lhe servia de fundamento, para aderir aos sonhos espiritualistas, sentimentais, negativos e femininos dos “Filhos da Água”, promovendo um verdadeiro adultério filosófico, aceito passivamente por todos os centros filiados à Sede Mundial, que nunca se empenharam em estudar seriamente os ensinos rosacrucianos.

A “The Rosicrucian Fellowship”, logo após a saída do Mestre da sua direção em 1919, foi conduzida pela sua esposa, Sra. Augusta Foss Heindel, por trinta anos aproximadamente. Durante esse largo espaço de tempo, foram implantados nos serviços esotéricos organizados pelo Sr. Max Heindel, alguns rituais religiosos próprios da igreja católica, em franca contradição com os métodos empregados por uma verdadeira Escola Esotérica.

Como não poderia deixar de acontecer, a direção feminina e matriarcal dessa Sra., junto a outras do mesmo parecer, acabou por transformar a “Original Escola Esotérica” numa “igrejinha”, na qual transparecem claramente os ideais e métodos empregados pela linha sacerdotal. A Grande Escola Rosacruz fundada pelo Irmão Iniciado Sr. Max Heindel, degenerou-se logo a seguir, transformando-se numa instituição religiosa apenas, onde pontificam até hoje, a fantasia e os sonhos espiritualistas.

A ausência de uma direção masculina autorizada e a falta de entendimento dos seus diretores, levou a instituição ao extremo de realizar casamentos, batizados e ofícios fúnebres, além de outras cerimônias religiosas, imitadas por alguns centros de estudo filiados a ela, inclusive a “Fraternidade Rosacruz Max Heindel” citada acima, cuja fundadora aderiu plenamente a esta orientação negativa, por sentir naturalmente, uma vocação inata para o sacerdócio feminino! Perguntamos: o que a Escola Rosacruciana tem a ver com os métodos eclesiásticos e quem autorizou a direção de Oceanside a adotá-los? Seguramente não foram os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz!

Ao ler alguns folhetos de propaganda editados pela sede central de Oceanside e pelos centros de estudos filiados, particularmente a “Fraternidade Rosacruz Max Heindel” do Rio de Janeiro, encontra-se com freqüência artigos da senhora Corinne Heline, com a qual a direção desta organização parece ter grande afinidade.

As idéias e opiniões divulgadas por esta escritora, considerada por Oceanside como a grande pregadora da “Nova Era”, não nos impressionam, absolutamente, pois o mundo sempre esteve cheio de opiniões gratuitas que nada representam, quando confrontada com a “Sagrada Ciência”. O que leva a ocuparmo-nos dessa senhora, não é propriamente a qualidade dos seus escritos que, sem dúvida, refletem a mais exaltada fantasia, mas, o fato do seu nome ter sido vinculado indevidamente à Filosofia Rosacruciana pelos dirigentes da extinta escola de Oceanside, fazendo crer aos estudantes desprevenidos que seus ensinos são aprovados pela Ordem Rosacruz, também conhecida como Escola de Mistérios do Ocidente. Eis a principal razão deste artigo: o de alertar a esses estudantes.

Seus livros, recomendados pela Sede central Americana, figuram ao lado da bibliografia Rosacruz como expressões de verdades sublimes que todos os estudantes deveriam tomar conhecimento. É lamentável que suas conclusões tenham sido misturadas sem nenhum critério aos ensinos da Ordem Rosacruz e reverenciadas como frutos da mais alta sabedoria, pelos adeptos da “igrejinha” americana. Cremos que suas “assertivas” tenham contribuído largamente para a falência filosófica da “The Rosicrucian Fellowship”.Com o intuito de distinguir os ensinos da Ordem Rosacruz, das opiniões fantasistas dessa escritora e para que os estudantes desprevenidos não venham a pensar erroneamente que elas foram aprovadas pelo Sr. Max Heindel, a “Fraternidade Rosacruciana São Paulo” quer deixar claro que não comunga absolutamente com as suas idéias, nem atribui a Sra. Corinne Heline a autoridade que lhe é outorgada pelos seus admiradores (as), considerando-a apenas como mais uma estudante, vítima da própria fantasia.

Quanto ao título de “iniciada Rosacruz” conferido pela organização de Oceanside e pelo centro do Rio de Janeiro, teremos de concluir que seus dirigentes fazem uma idéia muito pobre e limitada a respeito dos Iniciados, pois estes demonstram um cuidado muito especial ao revelar seus ensinos, a fim de que as pessoas não encham suas cabeças com ilusões e quimeras espiritualistas. A maior prova desta afirmação nos foi dada pelo Sr. Max Heindel que sempre foi muito discreto ao discorrer sobre os ensinos superiores!

Ao confrontar os “ensinos” (?) dessa escritora com a Filosofia Rosacruz, a “Fraternidade Rosacruciana São Paulo” sente-se no dever de contestar grande parte das suas asserções filosóficas, considerando-as como fantasias espiritualistas, fortemente embebidas por um sentimentalismo maternal e clerical, especialmente quando faz menção à Virgem Maria, o supremo ideal da igreja católica romana.

Embora esta estudante tenha se dedicado ao estudo do ocultismo, seu temperamento sonhador dado às divagações místicas, refletem um feminismo exaltado, encadeado às idéias religiosas e românticas recebidas do clero da sua igreja. Ao invés de libertar-se da obscuridade dos dogmas clericais, alimentou-os com seu misticismo fanatizado, mesclando-os ingenuamente com o esoterismo rosacruciano, fazendo uma série de afirmações gratuitas que jamais poderiam encontrar respaldo nos Evangelhos e no ocultismo tradicional de todos os tempos. Somente aqueles que vibram no mesmo diapasão místico e sonhador dessa autora, podem aceitar seus “abalizados” ensinos.

É inacreditável a admiração que esta senhora suscitou no ambiente clerical de Oceanside, uma vez que o Sr. Max Heindel nunca citou seu nome em suas obras, nem fez qualquer alusão aos seus “escritos”, embora a autora faça inúmeros agradecimentos a ele por tê-la estimulado no seu trabalho. Da nossa parte somos inclinados a crer que Ele não chegou a ler esses trabalhos, pois se o tivesse feito não poderia tê-los aprovado.

O notável é que os corifeus de Oceanside se deixaram seduzir pelas suas arengas filosóficas, considerando-a como a discípula mais proeminente do Sr. Max Heindel, responsável pela introdução do “ideal mariano católico” nos ensinamentos de uma Escola que não tem nenhuma afinidade com a “Hierarquia da Água”.

Em uma de suas instruções, o Grande Instrutor aconselhou seus estudantes: “Nós não devemos aceitar nenhuma outra direção que não seja a de Cristo” . Hoje, depois de se ter passado oitenta e três anos desde a sua saída do cenário físico (janeiro de 1919), é visível a flagrante colisão entre este ideal sugerido pelo Mestre, com o fantasista ideal “mariano e negativo” que passou a reger o destino da “Ex-Escola” dos Filhos do Fogo!

Diante da postura filosófica adotada por Oceanside e pelos centros filiados, conclui-se que Cristo não é mais a “Pedra Angular” que norteia os ensinos da pretensa escola esotérica, embora seu nome seja citado com freqüência para disfarçar uma preferência injusta, como faz a igreja católica, que reverencia a Maria no lugar de Cristo.

O Supremo Mestre Iniciador foi relegado a um segundo plano pelos “Filhos da Água”, colocando em seu lugar uma figura humana (Maria), a qual nunca pleiteou para si o título de mestra, de divina senhora, de rainha do céu ou de mãe de Deus! Nas “Bodas de Caná” descritas pelo Evangelho de João, o estudante tomará conhecimento de uma das poucas frases proferidas pela mãe de Jesus que, qual colírio mágico deveria curar a cegueira dos seus deslumbrados adoradores: “Fazei tudo o que ele (Cristo) vos disser” (João 2:5).

A Digna Mãe do homem Jesus foi transformada (à sua revelia) numa deusa, num ídolo ou fetiche pela mentalidade deformada dos clérigos e dos adulteradores de filosofias. A sublime mãe de Jesus, pela qual temos o mais absoluto respeito e consideração (cuja figura é o símbolo do poder criador da “Imaginação” em todas as tradições esotéricas); na visão distorcida da Sra. Corinne Heline e dos membros da ex-escola de Oceanside, transformou-se num poder paralelo ao de Cristo, ou talvez maior, com capacidade para liderar os anjos (onda de vida mais evoluída do que a humana) e dirigir todos os assuntos relacionados com a evolução terrestre, “especialmente os que dizem respeito a emancipação feminina”. Este fato nos leva a considerar uma verdade indiscutível: tudo na vida pode encontrar seus limites, menos a fantasia humana!

Sem dúvida a profecia feita pelo Sr. Max Heindel, inserida na obra (Ensinos de um Iniciado) realizou-se integralmente: a Escola desapareceu devido “a usurpação do poder”, dando lugar à igrejinha negativa e irresponsável, sem qualquer esperança de redimir-se para reassumir sua antiga condição escolar, pois seus associados ao aceitarem sua orientação distorcida, provam que não se dirigem pela razão, pela lógica e bom senso, aceitando inconscientemente o lamentável adultério filosófico que lhe é imposto pela direção desautorizada da organização.

Somos do parecer que a vasta propaganda realizada pela “The Rosicrucian Fellowship”, através da internet, deveria incluir a profecia feita pelo Mestre, impressa em caracteres gigantescos, para que o mundo inteiro tomasse conhecimento do seu conteúdo! O tempo, que prova o valor de todas as coisas, se encarregou de demonstrar que a profecia aconteceu muito mais depressa do que se poderia esperar! A previsão feita pelo Iluminado Instrutor não se referia à acontecimentos que viriam a suceder num futuro distante, não! Os fatos provaram e continuam provando que ela realizou-se logo após sua passagem para os mundos espirituais!

Reconhecemos que não é muito agradável revolver acontecimentos passados e presentes, que maculam a extinta escola americana e seus satélites espalhados pelo mundo. Não somos puritanos, conhecemos nossos defeitos e não alimentamos qualquer sonho relacionado com perfeição, porém, possuímos uma virtude: “A FIDELIDADE”, e esta, nos leva a defender os Ideais Rosacrucianos que abriram a nossa consciência, revelando-nos a verdade!

Como ninguém tomou a iniciativa de denunciar esta fraude filosófica, a Fraternidade Rosacruciana São Paulo o faz como já o fez no passado, através da palavra do seu fundador, Sr. Lourival Camargo Pereira, e como o faz nestes últimos doze anos através do atual Instrutor, que assume inteiramente a responsabilidade destas informações. As principais armas do Espírito serão sempre a consciência, a razão, a lógica e o bom senso e, como não poderiamos deixar de mencionar, a “coragem” para expor a verdade e desmascarar a mentira! Estes fermentos poderosos constituíram em todos os tempos o apanágio dos “Filhos do Fogo” e estes, não reconhecem nem reverenciam nenhum outro poder ou autoridade a não ser o da “LUZ DO MUNDO” (Fogo), o Adorável Espírito de Cristo!

São Paulo, 10 de Abril de 2002.


Voltar     Imprimir

 
 
 
Ver mais  
 

 
Alameda Barros, 101 - SL. 11 - CEP: 01232-001 - São Paulo/SP